sexta-feira, 20 de novembro de 2015

INVEJA E RANCOR

INVEJA E RANCOR
Se a inveja e o rancor, que são doenças fatais, fossem removidos da nossa sociedade, no seu lugar surgiria um maciço que serviria de base à reforma do nosso comportamento, favorecendo a pureza do coração, da mente e da alma.
Estas duas doenças mortais endurecem o coração, induzem a pessoa ao erro e removem do seu coração a luz da fé. São como parasitas, pois devoram as nossas boas acções, corroem qualquer sistema moral baseado no bem e nos valores puros, e mutilam a nossa consciência.
O que é que se passa actualmente com o Ummat (povo) de Muhammad (S) ao ponto de as pessoas se deixarem acometer por essas doenças, quando o Isslam se baseia em princípios de irmandade e união?
O Isslam estabeleceu desde os primórdios do seu ressurgimento, bases concretas para o amor mútuo, para a paz, para a amizade e para a simpatia. Aquando da imigração do Profeta de Makkah para Madina, os An’sar’s receberam os seus irmãos Muhajerin’s de coração aberto, pondo à disposição destes, não apenas as suas casas mas também os seus bens. Compartilharam com eles tudo o que tinham, num espírito de autêntica generosidade, amor e respeito mútuos, numa manifestação de solidariedade jamais vista em qualquer outro povo do mundo.
O que é que se estará a passar connosco hoje? Nutrimos inveja e rancor quando ouvimos que a algum amigo ou parente nosso aconteceu algo de bom.
Como é que nos deixamos resvalar para um nível tão baixo? Como é que admitimos que esse tipo de doenças fatais nos assaltem?
Tornamo-nos tão complacentes em relação à inveja e ao rancor, que não os consideramos anormais, antes pelo contrário, quando alguém nos chama à atenção, esgrimimos argumentamos tão descabidos, tão inconsistentes, que põem a nu as nossas ambições.
Vejamos o que o Profeta Muhammad (S) disse acerca da inveja: “Mantende-vos longe da inveja, pois ela devora as virtudes da mesma maneira que o fogo devora a lenha”.
Como muçulmanos os nossos corações têm que se manter puros e limpos em relação aos outros.
A inveja e o rancor só causam um infindável ciclo de angústia e tristeza, o que faz com que percamos a noção das graças de Deus.
O Al-Qur’án diz no Cap. 32, Vers. 4:
“E não cobiceis o que Deus deu a uns, mais do que a outros de entre vós..... E pedi a Deus que vos conceda da Sua generosidade. Por certo, Deus é Omnisciente, de todas as coisas”.
A inveja e o rancor são os dois elementos básicos que favorecem a ocorrência de muitos dos males que afligem a sociedade. Foi a inveja e o rancor que deram origem ao primeiro crime, ao primeiro assassinato na face da Terra. Um dos filhos de Adão matou o seu irmão por inveja.
E a eles é atribuído o aumento da malícia e da perversidade. Portanto, devemo-nos sentir envergonhados por permitir que tais elementos se tornem parte da nossa vida quotidiana.
Certa vez o Profeta (S) perguntou aos crentes que estavam ao seu redor: “Não quereis que eu vos mostre o sinal da pessoa malvada”?
Eles responderam: “Informa-nos ó enviado de Deus, se assim o entenderes”.
Então o Profeta (S) disse: “A pessoa mais malvada entre vós é aquela que se mantém à distância (longe); é inflexível em relação aos seus serventes e não oferece prenda a ninguém”.
A seguir perguntou: “Não quereis que eu vos informe acerca de outra pessoa que é ainda pior que essa”?
Os crentes responderam: “Sim”
Então o Profeta (S) disse: “Aquele que tem rancor contra as pessoas e estas também têm rancor contra ele”.
Devemos extirpar a inveja e o rancor das nossas vidas, e manter boas relações com os nossos irmãos e irmãs.
Devemos tentar ser como aqueles a respeito de quem Deus diz no Cap. 59, Vers. 10 do Al-Qur’án:
“E os que vieram depois deles dizem: Senhor nosso! Perdoai-nos e aos nossos irmãos que nos antecederam na fé; e livra nossos corações de qualquer rancor contra os crentes. Senhor nosso! És, na verdade, Clemente e Misericordioso”.

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